Rock, Suor, Poeira e Muuuuita Presepada!
Sim, amiguinhos, lá fui eu bater cabeça ao som de bandas fudidasbagarai... se você estivesse em 95.
Não, nada contra esse revival, afinal realizei o antigo projeto de ver um show do Faith No More. Mas é meio triste constatar que poucas bandas atuais me empolgam do jeito que o FNM, Red Hot, Pearl Jam faziam – e ainda fazem.
Enfim, fui saltitante, feliz e pimpão, tal qual um hobbit, para a Chácara do Jockey... minha Mordor particular. O lugar é longe, gente. Muito longe. Na vez do Radiohead eu tava de carona e mesmo assim foi tenso. Agora tava só eu e eu apenas. Táxi foi a solução encontrada, mas digamos que não fiquei muito feliz de torrar os olhos da cara pra me deslocar até lá.
Chego na bagaça e o Nação Zumbi já tava lá moendo Manguetown. Gozado, nunca fui muito fã da banda, tenho o primeiro e só. Mas me diverti, as músicas funcionam, o groove é bacana e o Lúcio Maia é um puta dum guitarrista – e sabe disso, haja visto a performance guitar hero que ele tava dando no palco. Pena que ainda tava vazio o lugar, eles mereciam mais.
Meia hora de intervalo, uma cerveja pra aliviar o sol de rachar coco e eis que me entra o Sepultura. Também não sou fã dos caras, esse estilo de vocal nunca me pegou, embora o instrumental seja cabuloso. E quando o Derrick berrou “RUN FOR TERRITORY!!!”, me lembrei da Ivete Sangalo.
Explico: eu tava encostado na grade que separava a pista vip da área onde nós, pobres mortais (ênfase em POBRES) nos encontrávamos. E o pessoal que tava ali decidiu fazer uma mega roda de pogo. Correndo e se estapeando feito malucos mesmo.
Tá, as meninas que tão lendo isso não devem tá entendendo nada. Desencanem. Só quem tem testosterona correndo nas veias e sua sangue manja do que tô falando.
Só que ali, naquele ponto, tava um chão de terra batida. Resultado?
POEEEEIRAAAA!!! POEEEEIRAAAA!!! LE-VAN-TOU POEEEEIRAAAA!!!
(O Predador falou “puta poeira do caralho” num português límpido e claro. Perde apenas pro do Mike Patton)
E no momento que descobri como um figurante do filme “A Múmia” deve ter se sentido, eis que me deparo com a pessoa mais macha daquele forfé todo:
Uma menina de uns 15 a 17 anos kicking serious ass!
Sério, a mina tava toda lanhada, com hematoma, escoriações, sangrando.... e tocando o terror pra cima daqueles marmanjos.
Bom, pra não dizer que fiquei olhando pro show do Sepultura apenas com cara de “ahn?”, esgoelei em Roots. Porque Roots, meus amigos, é Roots. Bloody Roots.
Mais meia hora, mais cerveja, e vem o Deftones. Poderia nem ter vindo, já que é tão chato quanto ficar assistindo alguém jogar Wii. Fora que eles processam tanto o som, que na hora de equalizar vira uma maçaroca horrenda e baixa. Num dá.
Show seguinte: Jane´s Addiction. E aí começaram as presepadas.
Tudo porque o Perry Farrell (vocalista da banda, inventor do Lollapallooza e cruza do Victor Fasano com o Dinho Ouro-Preto) me entra naquele puta calor que tava às 7 da noite do horário de verão com um macacão de lamê preto e púrpura com umas lantejoulas e purpurinas. O bicho tava suando mais que tampa de marmita. Fora que a porra da roupa do maluco ao final do show já tinha aberto tudo embaixo das axilas – o popular “suvacu”.
Adiciona isso à birita que ele tava entornando constantemente durante o show (o que fez ele tomar três capotes durante uma mesma música) e o fato de que ninguém da banda vai com a cara um do outro.
Eis que surgem então duas dançarinas meio geishas, meio demônios protagonizando um patético, e por isso mesmo hilariante, festival de insinuações sexuais. Ah, sim, uma das dançarinas é a SRA. FARRELL. Tipo, o cara é cafetão da própria mulher.
Bom, no meio de todo esse pandemônio, ele decide ainda tirar uma com a cara do Dave Navarro – também conhecido como “o-freak-que-come-a-Carmen-Electra-e-quase-me-fez-odiar-Red-Hot”.
Imagina um cara marrento. Agora imagina esse cara marrento com o senso de humor do Senhor Saraiva do Zorra Total. Era mais ou menos o mood do Sr. Navarro naquela noite. Lembrando, ele detesta o vocalista.
Aí surge o seguinte diálogo de Perry Farrell (alteradaço pelo vinho de quinta que tava ingerindo):
“Gente. Todo mundo sofre. Vocês acham que nós não sofremos? Pois nós sofremos. Olhe Dave. Vocês olham para ele. Esses braços perfeitos. Esse peito perfeito. Ele é lindo. Pois é, ele também sofre.”
Enquanto eu me contorcia no chão empoeirado de tanto rir, imaginava o Dave no backstage, “tua arma foi o microfone, a minha vai ser a guitarra”, enquanto cabongava sem dó o lazarento.
Enfim, um som muito viajandão. Até demais pro meu gosto. Fora que Been Caught Stealing tava irreconhecível.
Enfim, Faith.
E esse foi muito bom. Mas muito bom MESMO!
A banda tocando pra cacete, inclusive o guitarrista novo que já foi da banda do Ozzy.
E a performance escalafobeticamente freak do Sr. Michael Patton, provando definitivamente que ele sim é o cara.
Cantava como se estivesse em um cabaré, total latin lover. Música seguinte se esgoelava e berrava. Depois segurava o facho. Aí tossia e simulava sua morte por engasgamento. Pulava, babava, espumava. Enlouquecia.
E brindava-nos com isso aqui:
1.Reunited (Peaches & Herb cover)
2.From Out of Nowhere
3.Be Aggressive
4.Caffeine
5.Evidence (em português e dedicada a Zé do Caixão)
6.Surprise! You're Dead!
7.Last Cup of Sorrow
8.Ricochet
9.Easy (Commodores cover)
10.Epic
11.Midlife Crisis
12.Caralho Voador
13.The Gentle Art of Making Enemies
14.King for a Day
15.Ashes to Ashes
16.Just a Man
Encore:
17.Chariots Of Fire/Stripsearch
18.We Care a Lot
Encore 2:
19.Theme from Scarface/This Guy's in Love with You (Burt Bacharach cover)
20.Digging the Grave
Só mesmo Patton para num festival (e numa banda também) marcado pelo heavy metal, cantar Commodores e Burt Bacharach e sair com vida e aplaudido por todos.
O ensandecido ainda me pula do palco, treta com os seguranças, cai de bunda no chão, levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima e leva o microfone pra todo mundo da área vip, especialmente as moçoilas, berrarem a plenos pulmões a singela expressão “Porra, Caralho!”, culminando tudo com um malho num cara que tava ali.
No bis, dedicou o show ao Palmeiras (Palmeiras? Deve ser influência do João Gordo e dos Irmãos Cavalera, só pode) e ainda me fez bater cabeça ao som de Giorgio Moroder, o rei da disco-farofa (e compositor do tema de Scarface).
Fim de show, só me restou enfrentar uma hora e meia de bumba + metrô para chegar em casa. Exausto, dolorido, empoeirado.
Mas com sentimento de dever cumprido.
Lemão, Miquê, Zé e Demônio, as cervejas que virei ali dediquei a vocês.
E que venha AC/DC!
PS: Devo admitir que o show do Iggy no PT deve ter sido foda. O problema era a fauna ali presente.














