Chôse du Locke 2.0

Domingo, Fevereiro 12, 2006

Viagens

“Aprendemos muita coisa:
1) que ao se trocar a palavra bebe por fede, você consegue fazer a música mais racista do mundo;
2) que o Lobão canta "me chama".... E não um sinônimo pra afrescalhado;
3) que é muito importante.... Que é preciso.... Enfim TENHA SEMPRE EM MENTE que é necessário RESPEITAR MOTOCICLETAS E MOTOCICLISTAS... Essa é a lei, se não quiser que um carro vodu venha atrás de você;
4 - porém relacionado com a 3) a frase "olha a frente" pode assumir vários significados;
5) a palavra do dia... É "burro"”.


(Eu explicando como foi minha viagem dupla desse fim de semana pro Daniel no MSN)

-.-.-.-.-.

A mãe do Forrest é que tava certa. A vida é mesmo como uma caixa de chocolates: você nunca sabe o que vai encontrar lá.

-.-.-.-.-.

A semana tinha sido do cão, só pepino no trampo. Minha ansiedade em relação ao curso que começo na segunda deixando-me cada vez mais indócil. It´s a long way to the top if you wanna rock´n´roll, já berrava Bon Scott.
E no meio de tudo isso, a viagem da Joy pro Chile. De mala e cuia.
Obviamente ela marcou uma pequena soirée em sua casinha em Santo André. Eu prometi que ia estar lá. No matter what.
Na sexta só consegui sair do serviço às 18, o ônibus saía às 19 e eu ainda tinha que tomar banho, fazer barba, pegar meus troços, tirar dinheiro e ir pra rodoviária, tudo isso enfrentando uma chuva lazarenta.
E não é que consegui? With a little help from my dad, pra continuar com as citações pop.
Parei o ônibus e adentrei o bólido feito um tresloucado – portando minha bolsa nova com uma muda de roupa e um colchonete micadérrimo, com umas camuflagens, parecia coisa saída de um filme do Rambo! Pensando bem, agora entendi a quantidade de olhares estranhos que foram dirigidos à minha pessoa...
E assim, parti. A viagem foi tranqüilíssima, a não ser pelo fato de que era sexta-feira, horário de final de expediente, neguinho entrando e saindo de Sampa. Ah, sim, e estava chovendo!
Peguei o maior congestionamento do último ano. Peguei um outro congestionamento que no final era causado por um caminhão de lixo. Peguei a Avenida do Estado (que sai de São Paulo e corta todo o ABC) interditada.
Peguei um ônibus que era cata-coió.
Tudo isso somado, uma viagem de 3 horas de duração.
Por causa disso, teço loas a Steve Jobs. Por ele existir, por ele criar a Apple, por ele voltar à Apple, por ele inovar em designs e produtos e, principalmente, por sua empresa ter criado o iPod. Thank U.
Chegando em Santo André, recebo uma ligação dum amigo. “Bola, vamos no show do U2? Tenho um convite sobrando.” Hello, Hello, e pro show do U2 eu vou!!! A semana subitamente tinha dado uma melhorada.
Carona com a mãe e a prima da Joy. A gente se encontrou muito pouco, mas já fui dando meus “cartões de visita”, isto é, coloquei a torneirinha que regula o fluxo de bobagens que sai da minha boca no máximo, o que resultou por fim na minha explanação sobre como será a próxima excursão dos Stones: Jagger canta “I can´t get no!” e aí ele puxa um balão de oxigênio! Eles não terão mais roadies. Terão enfermeiros. E patrocínio de Desfibrilador Phillips.
As duas às gargalhadas.
Chego na casa, a Joy me recebe dizendo que a Van e o David estavam perdidos na selva de Sampa. Não conseguiam achar a Paulista (!) e iam demorar “um pouquinho”.
Uma hora e meia depois, ei-los.
Nesse meio tempo, telefonei pra Márcio e Eneida e pra meu irmão, assim eles se despediam da Joy. A coitada chorava a cada ligação. Realmente, sou um menino mau.
E quanto à festa? Bom, homenageando Neruda, confesso que bebi. E muito. Só que não fiquei bêbado. Será que estou recuperando meus poderes?
Fiquei amigo de mais um cachorro, a Laika, que já me adora, sobe em cima e pede pra eu coçar a cabecinha dela. What´s going on? Isso é sinal de que o fim está próximo, certeza...
Joaquin. O priminho da Joy. Um amor de criança. Primeiro, ele estava praticando um air drum profissional (isto é, com baquetas). E tirava CERTINHO Boys Don´t Cry e In Between Days do Cure.
Depois, ele estava brincando com uma bola. E o palhaço aqui tinha que dar trela, certo? Quase destruímos a sala! Ensinei ele a sempre cabecear pra baixo, desfilei meu festival de caretas “jerrylewisiano” (ou “jimcarreysiano”, como queiram), fiz o baixinho rir. A ponto de uma hora notar, pra meu costumeiro embaraço, que todos os presentes pararam o que estavam fazendo pra me ver brincando com o guri.
Resumo da ópera: na hora de dormir, ele não queria ir sem se despedir do “nuevo amigo”. Surge o primeiro nó na garganta.
A família da Joy. A vó, o pai, a mãe, a tia, a prima, TODOS sem exceção me trataram como se fosse um amigo de longa data. Parecia até que eu morava lá. A Marina bem que me disse que o clã Matta Jerias era demais.
Eu não era o único a causar. A Van, lá pelas tantas, diz “ai, estou meio cansada”. Falou isso e desmoronou no sofá. A Laika até foi cheirar. E a outra lá, pregada... Serviço cumprido, batemos uma foto.
A partir daí, eu, David e Joy ficamos batendo papo, com participações ocasionais da Van (o flash acordou a menina). E então começa:

Pessoa 1: Sabe aquela música “todo mundo é bamba?”

Pessoa 2 (cantando): “Na minha casa todo mundo é bamba, todo mundo bebe, todo mundo samba...”

Pessoa 1: Então, sempre achei que fosse “todo mundo FEDE, todo mundo samba”...

Pessoa 3: HEIN?!??!!!??

Pessoa 1: Todo mundo... fede!

Todos: uahUAHuhaUHAUhauAHuhauHAUhaUHAu!!!


Pessoa 4: PUTA QUE PARIU! Foi só trocar a palavra “bebe” por “fede” e você criou a música mais racista de todos os tempos!!!

E continua:

Pessoa 4: Eu também confundia.

Pessoa 2: Ai, lá vem...

Pessoa 3: Qual música?

Pessoa 4: Ah, quando eu era pequeno eu perguntava, “Pai, porque o Lobão fica xingando nessa música? (cantando) Bichana, bichana, bichanaaaaa....”

Pessoa 1: uhaUAHUahuAHuahUAHuahUAHuahUHAuhaUAHuahuHAuha!!!!!!! Cala essa bocaahAUHuahUAHahUAHuahUAHUahU!!! BichanaauHAUahuAHuahHAuhaUHU... BichanauahUAHuahuHAUhauHAUahUHAUh!!!!

Todos: uhuahUAHuahUHAuhaUAHuhauHAUhauHAU


Atinge seu ápice:

Fita: “...horse horse horse horse...” (os ouvintes presentes não conseguem raciocinar de tanto rir)

E foi até o café da manhã:

Pessoa 2: Eu não dormi.

Pessoa 3: Eu sim.

Pessoa 1: Eu apaguei.

Pessoa 2: Você fez até uns resmungos... Parecia que tava meio que rindo ou suspirando...

Pessoa 4: Eu ronquei?

Pessoa 1: Se a casa tremeu, não senti. Deu até pra sonhar (e faz uma cara de constrangimento).

Pessoa 4: Eu também! Aliás, sabe quando o barulho interfere no seu sonho? Então, sonhei que esse barulho da chuva era alguém tomando banho.

Pessoa 1: Sonhei que era uma princesa medieval.

Após esse momento revelador, pegamos nossas coisas pra irmos pra Indaiatuba, no aniversário da Cris. Segundo nó na garganta, pois toda a família da Joy estava dormindo e não pude me despedir de ninguém. Que tratante eu sou...
Na viagem, escutamos o Whatever inteiro, um CD que eu e a Marina conhecemos bem. Yey!
Dessa vez, sem congestionamento, sem se perder, enfim, uma viagem tranqüila e normal... Não fosse pelo carro que estava à nossa frente em um pedágio. Não sei de onde veio aquilo, mas com certeza era do mesmo lugar de onde surgiu o motoqueiro do “Arizona Nunca Mais”!
Estávamos apenas vendo a traseira do veículo, mas já era o bastante. Ele era adornado com umas “alegorias e adereços” bizarríssimos, uns pêlos, umas crinas, uns pedaços de couro... Parecia que ele tinha atropelado uma vaca. Ou um búfalo. Vários, aliás.
E tinha uma cabecinha de caveira vodu, com cabelo comprido e tudo, na lateral direita da traseira.
Completando a cena, pintado em letras garrafais em meio àquilo tudo: RESPEITE MOTOCICLETAS E MOTOCICLISTAS. Ok. Aquilo não era apenas um pedido. Era uma ordem a ser seguida incondicionalmente. Ou o carro vodu aparece pra te pegar. Freddy Krueger perde.
“Vai, cara, vai embora, deixa a gente aqui pagar pedágio, vamos manter distância de você!”
Não conseguimos. Não é que o maluco reduz? Ao ultrapassar, vimos a parte frontal.
Ambulâncias e Bombeiros têm sua designação escrita ao contrário em sua frente para identificar com mais rapidez no retrovisor.
Aquele carro não precisa de coisa escrita ao contrário.
Ao ver aquilo em seu retrovisor, dê passagem. Aliás, pare no acostamento, agradeça por continuar vivo e conte até dez pra ter certeza que seu cérebro suportou aquela visão e não corre o risco de explodir. E respeite motocicletas e motociclistas.
A frente era tão ou mais decorada que a traseira.
A Joy berrava “olha a frente”, querendo dizer a frente do carro vodu.
A Van respondia “mas eu tô olhando, pô”, referindo-se à frente de seu próprio carro.
O David ria.
Eu berrava feito Rain Man.
Como podem ver, o carro do mal tinha sido bem-sucedido em embaralhar o cérebro de todos. Provavelmente terei pesadelos para o resto de minha vida. O dano psicológico dificilmente terá solução. Estou emocionalmente deformado.
Chegamos na Cris. Como a Joy e o David tinham que voltar pra Santo André, ficamos pouco, mas o suficiente pra dizer pra Ms. Takahara o quanto gostamos dela. E dessa forma é mais uma pessoa que fazemos feliz - e ela gostou do cd do Keane, eeeeeeeeeeeeeeeeee!!!
Ir pra Campinas. Fácil, fácil. Em comparação com a distância que já tínhamos percorrido, achávamos que não teríamos tempo pra mais nenhum absurdo.
Ledo engano.
Próximos à rodoviária, o sinal fecha. E no meio de uma chuva, surge um flanelinha. Todos gesticulam e avisam pra ele não vir limpar o pára-brisa. Até que:

Pessoa 1 (falando baixo, porém não tão baixo quanto imaginava): Não, não vem limpar não, seu burro.

Os outros se entreolham e perdem a fala. Nesse meio tempo, o flanelinha já limpou e até ganhou uns trocados.

Pessoa 1: Que foi gente? Eu não falei alto... Eu falei alto? Deu pra ele ouvir? Eu não acredito que deu pra ele ouvir!

Pessoa 4: Olha, até o outro flanelinha que tava a uns dez metros da gente olhou pra você!

Pessoa 1: Como sou idiotauhauHUahUAHuahUAHuahUHAu!!!

Pessoa 2: E a palavra do dia...

Todos: ... é “burro!”


Enfim, na Rodoviária de Campinas, a nossa despedida. Cumprimentei o David. É quando viro e vejo a Joy e a Van abraçadas. Às lágrimas. Não aquela coisa melosa, melodramática, mas algo discreto, bonito. Lágrimas de felicidade por se gostarem tanto. Lágrimas de tristeza pela distância e a ausência de uma na vida da outra.
Ali, naquele exato momento, veio o terceiro nó. E esse foi de foder.
Despedir-me da Joy não foi fácil, mas desejei que tudo de bom acontecesse pra ela. E com isso, mais um pedacinho do meu coração se vai pelo mundo afora, esse pro Chile. Cuida bem dele, menina. E seja muito feliz!
No fim, a cada degrau que a Joy descia na plataforma, era uma lágrima que caía. Ela olhou uma última vez, disse tchau e foi. Enquanto ela ia, eu e Van, dois patetas, ficamos apoiados um no outro, ela chorando, eu segurando o choro, felizes por nossa amiga, tristes por nós. E eu não quero mais falar sobre isso.

7 Comments:

  • Com um iPod e um ingresso pro show do U2 você não pode reclamar de viagem nenhuma!!!!

    By Blogger elisa, at 12 Fevereiro, 2006 11:48  

  • Nossa, qta sensibilidade!!

    Queria ter ido em tudo!!!

    Bjos

    By Anonymous re, at 12 Fevereiro, 2006 16:29  

  • Parece a narração do fim de uma era. Bom, não deixa de ser. Godspeed, meninas! Que encontrem o que buscam!

    Daniel

    By Anonymous Anônimo, at 12 Fevereiro, 2006 16:37  

  • Bola, seu fofo!!
    Obrigada por ter vindo!!! Fiquei muito feliz mesmo!!!
    E eu AMEI o CD!! Fico escutando antes de dormir!!!
    Obrigada mesmo!!!
    te adoro!!!
    Beijos

    By Anonymous Cris!!, at 15 Fevereiro, 2006 00:44  

  • Mas tava chovendo, pô! Que que adiantava o cara limpar o vidro?! Burro mesmo. (ai, que arrependimento...!). E minha música não é racista...hehehehehe. Ela fica até melhor com "fede" do que com "bebe"!
    Bolão, manda um e-mail contando dos primeiros dias de curso!
    Hope everything is ok!
    Love ya.
    Bjos.
    Van.

    By Anonymous Van, at 15 Fevereiro, 2006 21:15  

  • Queria que eu risse?? Quase derrubei a casa do Rodrigo....
    Queria que eu chorasse?? Se naum fosse que eu vim por livre e espontânea vontade por causa desta pessoinha que está secando minhas lágrimas agorinha, eu voltaria correndo...
    Em lugar nenhum deste mundo vou encontrar pessoas taum maravilhosas como vc, a Van, a Cris... ou mesmo como a Marina, a Renata e o Dani, de quem nem pude me despedir decentemente... ou como a Juliana, que tá no Japaum, aquela desgraça adorável...
    Saudades, sempre!!! MAs torçam por mim... que assim que eu tiver um lugar decente para morar, vou querer todos vocês comigo!!!!

    Txamo, bichano....
    AUAUhAUAUAuaa

    By Blogger Joy Matta, at 17 Fevereiro, 2006 23:55  

  • Puta merda! Com o final do post vc me mata! Até então tava rindo ou pensando "pq o Bola queria tanto que eu lesse isso?". Entendi o motivo. Não sei se agradeço a Deus por não ter tido que ver a Joyzinha entrando no bus ou se fico triste por não ter podido me despedir ao vivo! Hunf!

    Antes de quase morrer do coração com o fim do post, meu comment era que essa parte "Jagger canta “I can´t get no!” e aí ele puxa um balão de oxigênio! Eles não terão mais roadies. Terão enfermeiros. E patrocínio de Desfibrilador Phillips" o Casseta e Planeta já fez!! De péssimo gosto.

    Beijos!

    By Blogger M., at 24 Fevereiro, 2006 11:59  

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