Lineway To Hell ou O Dia em que Seremos Todos Idiotas
Eu sou um idiota. Se você tem o costume de ler este blog, está cansado de saber disso.
O problema é que eu tenho o péssimo hábito de esquecer que sou um idiota. E, por causa disso, acabo entrando em altas roubadas.
A mais recente aconteceu no dia 1º. Estava eu contente e empolgado porque iria comprar o ingresso pro show do AC/DC (dia 27/11 no Morumbi). “Ah, tudo bem, vou pegar uma filinha e boa, vai ser como da vez que comprei o ingresso do REM, perco só o horário de almoço”.
Pois bem. Só que o local não era a Via Funchal. Era o Citibank Hall. E aí começou o meu calvário.
O local era cheio de meia-horas pra venda do maldito ingresso. Tinha só um caixa. Que era uma mocinha lerda de dar dó. Fora que havia a possibilidade de comprar até 8(!!!) ingressos por pessoa, o que deve ter feito a alegria dos cambistas.
E pra completar, a fila reuniu a maior disposição de filhosdaputa/m2 que a cidade de São Paulo já teve o (des)prazer de testemunhar.
O tempo comendo, a fila se arrastando e uma dona me pede pra segurar o lugar dela ATRÁS de mim enquanto ela ia buscar a filha na escola. Tudo bem, acho que a consideração pelos outros é o que torna a vida suportável, não é mesmo?
Meia hora depois, consegui avançar três míseros passinhos. A dona volta com a filha. Aceno pra ela, as duas voltam ao LUGAR ORIGINAL. Dez minutos, o filho dela, o real interessado no ingresso, chega. A mãe e a filha vazam e ele fica. Até aí, tudo bem.
O tempo passa, já tinha perdido duas horas na fila e finalmente fico próximo ao caixa. Aí descubro o porquê da demora. Celulares.
Sim, amigos. Celulares. Esse maldito aparelho fazia com que verdadeiros débeis mentais parassem na boca do caixa e ficassem ligando pros 150 amigos que tinham perguntando se iam no show ou não.
CARALHO!!! Ninguém lê jornal, não? Os preços tão na internet tb. E PORQUE NÃO FIZERAM ESSA PORRA DE LIGAÇÃO ENQUANTO AINDA ESTAVAM NA PORRA DA FILA???????
Naquele específico momento, estavam três playboys de 40 anos ligando pra fulano, sicrano e beltrano. E comprando ingressos a conta-gotas. E FODENDO COM O TEMPO DE TODO MUNDO!!!! “Ah, mais dois então!” FILHOSDAPUTA!!!!
Como se não bastasse isso, lembram do moleque que ficou no lugar da mãe? Que era pra trás? Pois é, aí chegam 5 amiguinhas dele. Que também queriam ingressos. E todos com extrema pressa. Claro, superurgente ir pro shopping ou jogar videogame ou ver DVD na casa de seilaquem... Eu apenas já tava duas horas atrasado no trampo. Mas isso não é importante, certo?
Bom, o que esses representantes do futuro fazem? Ligam pra vovozinha do moleque. Ela aparece com mais uma amiga. E exige atendimento preferencial. Pra comprar 10 ingressos!!!!!
Aí não guentei. Desculpa, mas é muito pra minha cabeça. Comecei a berrar. O povo que tava na fila vendo a pataquada acompanhou. Obviamente, já tinha notado que não ia adiantar muita coisa. O pessoal da casa tava mais do que louco pra desovar os ingressos e qualquer piti que eu desse só ia fazer a gente perder mais tempo.
Desse modo, restou-me apenas uma única alternativa. A avacalhação. Eu não ia conseguir botar ordem na coisa. Mas nada podia me impedir de deixar as véias, o moleque e as amigas extremamente putos.
(Vejam, não sou contra atendimento preferencial. Uma senhora de 60 anos pra cima realmente tem que ser atendida antes. Mas essa situação era ridícula. Tá que ela ia assistir o show do AC/DC. Arrã. Sei. Olha, se vendessem exclusivamente um ingresso no atendimento preferencial, com COR DIFERENTE E NOMINAL AO PORTADOR, beleza. Afinal, um moleque de 15 anos não ia poder zanzar com um ingresso para maiores de 60 e fim de jogo. Mas aquilo era desfaçatez pura.)
Sendo assim, realizei os atos que se seguem:
- intimei as senhoras a desfiar o repertório da banda em questão (“vai, véia, canta as músicas!!! Manda um Hells Bells aí!”)
- apontei a incongruência das mesmas em ir assistir ao show, relatando os já conhecidos pontos-chaves de um show de Angus Young e seus faceiros coleguinhas (“claro, com certeza ela tá doida pra ver a mega-boneca inflável que surge em Whole Lotta Rosie ou então vai ter um orgasmo quando o Angus entra com os chifres do capeta em Highway To Hell. Isso pra não dizer quando rola deles mandarem umas strippers pro palco” – orgulho em me dizer que naquele momento a velhinha olhou hipertorto pro neto)
- questionei o gosto musical delas (“vocês vão vender ingresso pra elas??? Meu, tá na cara que elas não gostam de AC/DC!!!! Elas gostam de Victor e Léo, porra!!!”)
- e por último, intimei o neto (“você vai tá na pista?? Eu também!!”- fazendo o indefectível gesto de um punho esmurrando a palma da outra mão, o sinal universal que significa “vou te cobrir de porrada” ou, como Samuel L. Jackson diria em um filme do Tarantino, “I will go medieval on your ass!!!”)
O povo da fila que tinha se fudido que nem eu tava entortando de tanto rir. Tinha um lá que berrou “meu, cê tá brigando com um século de história!!” O caso é que as véias, o neto e as amigas picaram a mula rapidinho. E meia hora depois, eu finalmente conseguir comprar o meu ingresso.
Mas precisava ser tão complicado? E precisava ser de um jeito que acentuasse o quanto sou desprezível?
Oh, well, it’s a long way to the top if you wanna rock’n’roll.
PS: Antes que me acusem de insensibilidade e escrotidão, coisa que não nego, quero apenas frisar que senhoras de 60 anos de idade, por default, são senhoras de 60 anos de idade. Mas quando agem dessa maneira pra lá de canalha, desculpem, a gentileza foi pra vala. Só posso chamar de VÉIAS!
O problema é que eu tenho o péssimo hábito de esquecer que sou um idiota. E, por causa disso, acabo entrando em altas roubadas.
A mais recente aconteceu no dia 1º. Estava eu contente e empolgado porque iria comprar o ingresso pro show do AC/DC (dia 27/11 no Morumbi). “Ah, tudo bem, vou pegar uma filinha e boa, vai ser como da vez que comprei o ingresso do REM, perco só o horário de almoço”.
Pois bem. Só que o local não era a Via Funchal. Era o Citibank Hall. E aí começou o meu calvário.
O local era cheio de meia-horas pra venda do maldito ingresso. Tinha só um caixa. Que era uma mocinha lerda de dar dó. Fora que havia a possibilidade de comprar até 8(!!!) ingressos por pessoa, o que deve ter feito a alegria dos cambistas.
E pra completar, a fila reuniu a maior disposição de filhosdaputa/m2 que a cidade de São Paulo já teve o (des)prazer de testemunhar.
O tempo comendo, a fila se arrastando e uma dona me pede pra segurar o lugar dela ATRÁS de mim enquanto ela ia buscar a filha na escola. Tudo bem, acho que a consideração pelos outros é o que torna a vida suportável, não é mesmo?
Meia hora depois, consegui avançar três míseros passinhos. A dona volta com a filha. Aceno pra ela, as duas voltam ao LUGAR ORIGINAL. Dez minutos, o filho dela, o real interessado no ingresso, chega. A mãe e a filha vazam e ele fica. Até aí, tudo bem.
O tempo passa, já tinha perdido duas horas na fila e finalmente fico próximo ao caixa. Aí descubro o porquê da demora. Celulares.
Sim, amigos. Celulares. Esse maldito aparelho fazia com que verdadeiros débeis mentais parassem na boca do caixa e ficassem ligando pros 150 amigos que tinham perguntando se iam no show ou não.
CARALHO!!! Ninguém lê jornal, não? Os preços tão na internet tb. E PORQUE NÃO FIZERAM ESSA PORRA DE LIGAÇÃO ENQUANTO AINDA ESTAVAM NA PORRA DA FILA???????
Naquele específico momento, estavam três playboys de 40 anos ligando pra fulano, sicrano e beltrano. E comprando ingressos a conta-gotas. E FODENDO COM O TEMPO DE TODO MUNDO!!!! “Ah, mais dois então!” FILHOSDAPUTA!!!!
Como se não bastasse isso, lembram do moleque que ficou no lugar da mãe? Que era pra trás? Pois é, aí chegam 5 amiguinhas dele. Que também queriam ingressos. E todos com extrema pressa. Claro, superurgente ir pro shopping ou jogar videogame ou ver DVD na casa de seilaquem... Eu apenas já tava duas horas atrasado no trampo. Mas isso não é importante, certo?
Bom, o que esses representantes do futuro fazem? Ligam pra vovozinha do moleque. Ela aparece com mais uma amiga. E exige atendimento preferencial. Pra comprar 10 ingressos!!!!!
Aí não guentei. Desculpa, mas é muito pra minha cabeça. Comecei a berrar. O povo que tava na fila vendo a pataquada acompanhou. Obviamente, já tinha notado que não ia adiantar muita coisa. O pessoal da casa tava mais do que louco pra desovar os ingressos e qualquer piti que eu desse só ia fazer a gente perder mais tempo.
Desse modo, restou-me apenas uma única alternativa. A avacalhação. Eu não ia conseguir botar ordem na coisa. Mas nada podia me impedir de deixar as véias, o moleque e as amigas extremamente putos.
(Vejam, não sou contra atendimento preferencial. Uma senhora de 60 anos pra cima realmente tem que ser atendida antes. Mas essa situação era ridícula. Tá que ela ia assistir o show do AC/DC. Arrã. Sei. Olha, se vendessem exclusivamente um ingresso no atendimento preferencial, com COR DIFERENTE E NOMINAL AO PORTADOR, beleza. Afinal, um moleque de 15 anos não ia poder zanzar com um ingresso para maiores de 60 e fim de jogo. Mas aquilo era desfaçatez pura.)
Sendo assim, realizei os atos que se seguem:
- intimei as senhoras a desfiar o repertório da banda em questão (“vai, véia, canta as músicas!!! Manda um Hells Bells aí!”)
- apontei a incongruência das mesmas em ir assistir ao show, relatando os já conhecidos pontos-chaves de um show de Angus Young e seus faceiros coleguinhas (“claro, com certeza ela tá doida pra ver a mega-boneca inflável que surge em Whole Lotta Rosie ou então vai ter um orgasmo quando o Angus entra com os chifres do capeta em Highway To Hell. Isso pra não dizer quando rola deles mandarem umas strippers pro palco” – orgulho em me dizer que naquele momento a velhinha olhou hipertorto pro neto)
- questionei o gosto musical delas (“vocês vão vender ingresso pra elas??? Meu, tá na cara que elas não gostam de AC/DC!!!! Elas gostam de Victor e Léo, porra!!!”)
- e por último, intimei o neto (“você vai tá na pista?? Eu também!!”- fazendo o indefectível gesto de um punho esmurrando a palma da outra mão, o sinal universal que significa “vou te cobrir de porrada” ou, como Samuel L. Jackson diria em um filme do Tarantino, “I will go medieval on your ass!!!”)
O povo da fila que tinha se fudido que nem eu tava entortando de tanto rir. Tinha um lá que berrou “meu, cê tá brigando com um século de história!!” O caso é que as véias, o neto e as amigas picaram a mula rapidinho. E meia hora depois, eu finalmente conseguir comprar o meu ingresso.
Mas precisava ser tão complicado? E precisava ser de um jeito que acentuasse o quanto sou desprezível?
Oh, well, it’s a long way to the top if you wanna rock’n’roll.
PS: Antes que me acusem de insensibilidade e escrotidão, coisa que não nego, quero apenas frisar que senhoras de 60 anos de idade, por default, são senhoras de 60 anos de idade. Mas quando agem dessa maneira pra lá de canalha, desculpem, a gentileza foi pra vala. Só posso chamar de VÉIAS!

3 Comments:
Huhauhauhauhaa! Fantástico! Eu não faria diferente! Demais demais!!! uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu! hahaha! essa gente tem que se foder mesmo. Tô com medo do que vai acontecer no show do Metallica! O do Iron foi tão fácil! Caracas... *medo*
De qualquer maneira, bom show pra vc!!!! Bjão!
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Gisa Pizzatto, at 11 Outubro, 2009 13:03
MUITO bem feito!
hihihihiHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
LOL
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Guido, at 13 Outubro, 2009 10:08
eu super apóio. Isso me fez lembrar a fila de 9 horas pro show do U2 cheio de mulher gravida e velhinhos furando fila....
vc é mesmo desprezivel, mas eu te amo mesmo assim, seu feioso
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Joy, at 15 Outubro, 2009 11:52
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